domingo, 18 de janeiro de 2015

Jornalistas e o campo da História


Gibson da Costa

Se você for professor de História ou historiador (sim, porque, para mim, os dois não são sinônimos) já está familiarizado com a tensão entre historiadores e jornalistas que escrevem livros com temática histórica. A disputa por espaço editorial, por parte dos historiadores, é antiga (e, em minha opinião, sem sentido) e tem levado, muitas vezes, à desqualificação das publicações de jornalistas por parte de historiadores. A verdade é que, enquanto o trabalho de pesquisa e escrita acadêmica dos historiadores é fundamental e indispensável, os jornalistas preenchem o vácuo em termos de divulgação dessas pesquisas para um público não especializado. O resto é conversa de gente invejosa ou ciumenta (leia-se, historiadores que não se esforçam para escrever para o público fora dos círculos universitários)!

Apesar de minha formação no campo da História (nas graduações e na pós-graduação) e de minhas pesquisas, não me considero um historiador (diferentemente da identidade imposta pela pressão regulamentatória dos profissionais da área no Brasil). Sou, simplesmente, um professor que faz uso das pesquisas feitas por historiadores em meu ensino – como, a propósito, também o fazem professores-pesquisadores que ensinam História na universidade. Isso todos nós temos em comum com os jornalistas que escrevem sobre temática histórica.

Independentemente das críticas que se possam fazer a certos aspectos das obras escritas por jornalistas, devemos reconhecer que ao menos sua linguagem faz um imenso favor à divulgação historiográfica. Especialmente quando pensamos no público alcançado pelas mesmas. Quando penso nas obras de Laurentino Gomes, só para citar um exemplo, e no interesse que as mesmas despertam em adolescentes que, de outra forma, não se interessariam pelos temas de seus livros, a importância da divulgação ao público não universitário se torna clara.

A seguinte entrevista desse autor ao “Roda Viva”, sobre a qual poderia fazer muitos comentários (positivos ou não), pode ajudar a desfazermo-nos de alguns dos estereótipos atrelados ao trabalho jornalístico no campo da História. Vale a pena assistir!