quinta-feira, 12 de março de 2015

Hora de testar o Teste!



Gibson da Costa



A crítica oferecida por Propaganda, em sua brilhante canção “Bored of Education”, à irrelevância da forma como esperam que testemos os estudantes é válida para, talvez, a maioria dos sistemas educacionais do mundo. É certamente válida para o brasileiro.

Sempre considerei a obsessão em testar estudantes como uma forma de patologia institucional. E o pior é que essa “patologia” é forçosamente internalizada por novas gerações de professores.

Testar e avaliar não são sinônimos necessários. Aplicar um teste não é o mesmo que avaliar a curva de aprendizagem dum estudante. Isso é ainda mais verdadeiro se o teste em questão mensura apenas a capacidade do estudante memorizar dados, que muitas vezes, para eles, se mostram irrelevantes em suas próprias vidas.

Por que, por exemplo, se ensina/estuda Filosofia na escola? Será que há uma razão mais ampla do que simplesmente aprender listas de autores, obras e escolas de pensamento? E se há, por que, então, aplicaríamos testes objetivos – de múltipla escolha – nos quais seriam testados apenas a lembrança desses dados? A mesma questão pode ser feita sobre todos os demais componentes curriculares da escola.

Reforçando o que diz a letra da canção de Propaganda, “não podemos procurar no Google quando a Magna Carta foi assinada?

Por que definiríamos o desenvolvimento escolar de nossos estudantes com base em seu desempenho num momento específico no qual são testados? Não podemos esquecer que as notas que recebem como recompensa/punição por seu desempenho não consideram as circunstâncias nas quais são testados: o desconforto físico do local, do assento; o calor ou frio; o barulho; as condições emocionais do estudante; o(s) tipo(s) de inteligência(s) mais desenvolvida(s) em seu caso, etc. Assim, essas notas não podem representar plenamente – nem perto disso – a mudança que realmente possa ter se operado na aprendizagem dos estudantes.

Como, no mundo real de nossas escolas, somos obrigados a aplicar testes/provas, então o que nos resta é nos esforçarmos para que os testes que impomos aos nossos estudantes sejam capazes de produzir mais que apenas memorizadores de dados.

Afinal de contas, nossos testes são um reflexo de nossa compreensão de mundo e da educação!... E uma salva a Propaganda por nos lembrar disso!